Esta carta é para ti…
Para ti que já cá não estás…
Para ti, que me viste crescer, e fazes ainda parte de mim…
Para ti, meu antónimo…
Ultimamente tenho me lembrado tanto de ti… O meu coração clama por tempos remotos, onde os dias eram quentes, onde o vento me soprava no rosto e me deixava um doce aroma… O vento hoje trás me o teu aroma, a saudade de ti… Do tempo em que era tão simples sorrir, em que o sonho era uma constante… Em tempos sonhei com um mundo, um mundo que impedimos que exista… Um mundo que não faz sentido quando as pessoas teimam em não vive-lo…
Sei que não te vejo… Mas sinto-te… Sei que não te vejo, mas tenho-te comigo… Sei que não te vejo, mas estás comigo…
A força que tenho vem daqueles que amo, sem eles nada seria possível… Sem ti nada seria possível!!
As vezes, sinto que não sou humana, que sou desprovida do que contempla um ser humano… Para que queixar-me quando á tanto por fazer, quando estou bem… Mas estará a minha alma bem?!
Odeio-me por me lamentar, em vez de fazer a diferença, em vez de por mãos ao trabalho e fazer o que ao meu alcance estiver pelos que amo… Sou uma fraca… Desculpa… Mas sou fraca… Sei que isto não é nada, face ao que muitos vivem e passam, sei que sou uma afortunada… Mas ao fim de anos do mesmo tormento, ou tormento adaptado, custa respirar o teu aroma, o aroma da vida… Mas isto passa, nem que por um curto período de tempo, como tudo na vida… Afinal o sofrimento é ser entranhado na nossa alma, que se dissolve no que somos…
Só te peço uma coisa, não me abandones, por mais cabeçadas que dê… Bem sabes que muitas vezes é difícil, quando se está aqui…
Um dia hei-de ser novamente pequenina, vestida com um lindo vestido que a minha mãe me fez, com os meus lindos caracóis… Um dia, conseguirei, em fim libertar a minha essência, a criança que fui, e dar-te-ei as minhas mãos… Tu estender-me-as as tuas, e de mãos dadas me vais libertar… Vais libertar a criança cuja infância habitas-te…
Tenho saudades do teu doce chocolate…
Tenho saudades de ti…
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